O protótipo Avallone do filme Roberto Carlos a 300 km por Hora: um carro pouco conhecido do cinema e do automobilismo brasileiro

origem da imagem Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora – Filme 1972 – AdoroCinema
O cinema brasileiro da década de 1970 produziu algumas curiosidades automotivas memoráveis. Uma delas aparece no filme Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora (1971), estrelado por Roberto Carlos. No longa, um protótipo de corrida chamado Avallone Chrysler, frequentemente grafado como Avalone, torna-se o grande protagonista das cenas de corrida e um dos carros mais curiosos já vistos no cinema nacional.
O filme e sua relação com o automobilismo
Lançado em 1971 e dirigido por Roberto Farias, o filme acompanha Lalo, um mecânico apaixonado por carros e corridas que sonha se tornar piloto profissional. Quando o piloto titular da equipe sofre um acidente e abandona a competição, Lalo assume seu lugar na Copa Brasil de automobilismo em Interlagos, vivendo uma jornada improvável rumo à vitória. A produção fez enorme sucesso na época, tornando-se o filme brasileiro mais assistido de 1971, com quase 2,8 milhões de espectadores.
Diferente de outros filmes estrelados por Roberto Carlos, este prioriza a ação e as corridas, com sequências filmadas no Autódromo de Interlagos, utilizando carros reais e pilotos profissionais como consultores técnicos.

Revista O Cruzeiro, 25-5-1971, Biblioteca Nacional
O misterioso Avallone Chrysler
O carro principal do filme é o Avallone Chrysler, um protótipo de corrida vermelho utilizado pelo personagem Lalo. O modelo foi construído especialmente para competição e teve ligação com o piloto e construtor brasileiro Antônio Carlos Avallone, que também participou do filme interpretando um piloto rival. Esse carro possuía características típicas dos protótipos da virada dos anos 1960 para os anos 1970:
Tinha carroceria em fibra de vidro, leve e aerodinâmica, construção artesanal típica dos protótipos brasileiros, motor de alta potência derivado de modelos Chrysler, layout de protótipo esportivo de competição, similar aos carros da Copa Brasil da época, pintura vermelha usada nas filmagens do filme

origem da imagem: DODGE CHARGER R/T – AVALLONE CHRYSLER – ROBERTO CARLOS 300 KM, REVISTA COLECIONISMO BR. VOLAREBRASIL MINIATURAS 1/43 e RÉPLICAS 1/400
Além do Avallone, várias máquinas reais aparecem nas corridas do filme, incluindo modelos famosos do automobilismo internacional e brasileiro:
– Lola T-70
– Lola T-210
– Alfa Romeo P33
– Porsche 910
– protótipos nacionais como Fúria-FNM e Lorena GT.
Isso dá ao filme um nível de realismo incomum para produções brasileiras da época.

origem da imagem (1) Revista Intervalo nº 437 – O mundo musical de Roberto Carlos | Facebook
Roberto Carlos realmente dirigiu o carro
Uma curiosidade pouco conhecida é que Roberto Carlos pilotou de verdade nas cenas, evitando usar dublês em diversas tomadas. Durante as filmagens em Interlagos, ele chegou a conduzir o protótipo a velocidades próximas de 200 km/h, o que demonstrava o compromisso da produção com o realismo. Em uma das gravações, inclusive, o Avallone derrapou em uma curva e sofreu um acidente, danificando gravemente a carroceria de fibra. O susto foi grande, mas ninguém ficou gravemente ferido.
Esse cara é doido! Olha, já fiz de tudo em minha vida, não tenho medo de nada. Agora o que o Roberto faz com esse carro é demais! Esse cara é doido demais por carros, velocidade, tudo isso.
Diz Roberto Farias, diretor do filme, sobre Roberto Carlos que correu sem admitir doublé, nem nas cenas mais perigosas, em matéria da Revista O Cruzeiro de 1971.
O Avallone já me deu umas dicas do carro. Vai ser quente, Bicho!
Roberto Carlos, na mesma matéria.

Jornal do Brasil, 11-8-1971, Biblioteca Nacional
Um carro raro que virou peça de curiosidade
Embora o Avallone tenha sido importante no filme, ele nunca se tornou um modelo conhecido do grande público. Isso ocorreu por que era um protótipo artesanal, não um carro de produção, sendo assim existiram pouquíssimas unidades, além de ter sido construído para corridas, não para uso nas ruas então o projeto ficou restrito ao cenário do automobilismo brasileiro da época.
Hoje, o carro é lembrado principalmente por colecionadores e entusiastas do antigomobilismo brasileiro e do cinema nacional.

Revista O Cruzeiro, 5-1-1972, Biblioteca Nacional
Um símbolo da ligação entre música, cinema e carros
O filme marcou um momento curioso da cultura brasileira: a mistura entre o fenômeno musical de Roberto Carlos e o universo das corridas.
Para muitos fãs, o Avallone tornou-se um símbolo dessa fase, um carro exótico que apareceu apenas por alguns minutos nas telas, mas deixou uma marca na memória de quem gosta de carros antigos e do cinema nacional.

Ficha técnica
Modelo: Avallone Chrysler
Construtor: Antônio Carlos Avallone
Ano: 1970–1971
Origem: Brasil
Categoria: Protótipo de competição (Divisão 4 / Copa Brasil)
Estrutura e carroceria
Chassi: tubular artesanal baseado no Lola P-142
Carroceria: fibra de vidro derivada do Lola Can-Am P-222
Configuração: protótipo esportivo
Posição do motor: central-traseira
Peso estimado: 680 kg
Motorização
Motor: Chrysler V8
Alimentação: carburado
Cilindrada estimada: entre 5.2L e 5.9L
Potência estimada: 450 cv
Transmissão e dinâmica
Câmbio: Dewland PG-360, 5 marchas (mesma da F1 1972)
Tração: traseira
Suspensão: independente nas quatro rodas, amortecedores Koni
Freios: a disco Girling, 12 polegadas, nas 4 rodas
Desempenho (estimado)
Velocidade máxima: acima de 340 km/h
Por se tratar de um protótipo brasileiro artesanal, não existe ficha técnica oficial padronizada. Os dados acima são estimativas baseadas na configuração típica dos carros da Copa Brasil e registros históricos disponíveis.
Fontes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Carlos_a_300_Quil%C3%B4metros_por_Hora
https://tvbrasil.ebc.com.br/cine-nacional/2022/10/roberto-carlos-300km-por-hora
https://www.adorocinema.com/filmes/filme-204991
https://filmow.com/roberto-carlos-a-300-quilometros-por-hora-t9237
https://www.lorenagt.com/03-300-km-por-hora.htm
https://copabrasil.blogspot.com/2008/05/avallone-a11-diviso-4-original-71.html



