Amigomobilismo

Existe uma palavra que define bem o que vivemos nesse universo. E ela não está nos livros.

Veio de uma conversa, dessas que acontecem entre um carro e outro, entre uma história e outra. Foi o Pedro Bergaro, do Clube do Chevrolet, quem trouxe o termo que talvez explique melhor tudo isso: Amigomobilismo.

Porque, no fim das contas, o antigomobilismo nunca foi só sobre carros. É fácil se prender à ficha técnica, ao nível de originalidade, ao acabamento correto, ao detalhe de fábrica. Tudo isso importa, claro. Mantém o conhecimento, preserva a história e conserva o padrão. Mas não explica por que as pessoas continuam voltando, ou como jovens tem se interessado pelo assunto.

Nessa primeira entrevista para o portal, onde o Pedro nos mostrou seu espetacular Chevrolet 1940, também me contou várias histórias e já me apresentou vários dos sócios do Clube do Chevrolet, que, com a mesma simpatia e disposição, contaram histórias e mostraram seus carros.

Alguns fins de semana depois fui no encontro do Gurgel Clube e Cia, em um evento do Grande (grande com G maiúsculo) João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, em comemoração ao seu centenário. Outras tantas pessoas que nutrem pelos carros a mesma paixão que dedicam aos amigos de fibra (e bota fibra nisso!). Em breve publicaremos uma reportagem sobre esse encontro, aguardem!

O que sustenta esse universo não é apenas a máquina. São as relações.

É o encontro de fim de semana, a conversa que começa em um carburador e termina em histórias de vida, o conhecido que vira amigo, o amigo que vira referência, o pai que mostra as curiosidades automotivas ao filho, tendo o carro como ponto de partida.

E talvez por isso o termo faça tanto sentido. Amigomobilismo traduz aquilo que não aparece nas fotos nem nas fichas técnicas. Traduz o que acontece entre as pessoas, ao redor dos carros.

Porque nenhum clássico anda sozinho. E nenhum entusiasta também!

No fim, mais importante do que preservar máquinas é preservar conexões. E isso, definitivamente, não está em nenhum manual!.


Fernando Vianna é Fotógrafo e Designer Gráfico com larga experiência em edição de livros. É editor do Museu Virtual Santos Dumont, e do portal Retro Drive.