Dois Fuscas, dois presidentes

A troca inédita entre a Volkswagen e o Museu CARDE une capítulos da história do Brasil

Poucos automóveis carregam uma ligação tão profunda com a história do Brasil quanto o Fusca. Em 2026, dois exemplares que participaram de momentos decisivos da trajetória política e industrial do país voltarão a escrever um novo capítulo, desta vez longe das ruas e dentro de dois importantes espaços dedicados à preservação da memória automotiva.

Fusca JK Conversível, à esquerda, e Fusca Itamar, à direita  • Divulgação / VW

Em uma iniciativa inédita, a Garagem Volkswagen e o Museu CARDE anunciaram um intercâmbio temporário de dois Fuscas presidenciais. A partir de 3 de agosto, o Fusca Conversível utilizado por Juscelino Kubitschek durante a inauguração da primeira fábrica da Volkswagen fora da Alemanha será exposto em São Bernardo do Campo, enquanto o histórico Fusca Itamar, de chassi 001, seguirá para o Museu CARDE, em Campos do Jordão. A ação celebra os 30 anos do encerramento da produção do chamado “Fusca Itamar” e os 40 anos do fim da primeira fase de fabricação do modelo no Brasil.

O primeiro protagonista dessa história é um elegante Fusca Conversível de 1959, preservado pelo Museu CARDE. Foi nesse carro que Juscelino Kubitschek percorreu a fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo durante sua inauguração, em 18 de novembro de 1959. A cerimônia marcou um dos momentos mais importantes da industrialização brasileira, consolidando o país como um dos principais polos da indústria automobilística mundial.

Fusca JK Conversível • Divulgação / VW

Mais de três décadas depois, outro presidente voltaria a colocar o Fusca no centro da história nacional.

Em 1993, em meio a um cenário econômico difícil e buscando estimular a indústria automobilística, Itamar Franco incentivou o retorno da produção do modelo. A Volkswagen atendeu ao pedido e apresentou ao presidente o primeiro exemplar da nova fase do Fusca nacional: o chassi 001, hoje preservado pela Garagem Volkswagen. O automóvel rapidamente ficou conhecido pelo público como “Fusca Itamar”, tornando-se um dos carros mais emblemáticos dos anos 1990.

A troca entre os dois museus tem um forte significado simbólico.

De um lado está o automóvel que representa o nascimento da indústria automobilística moderna no Brasil.

Do outro, o carro que simboliza a despedida de uma era e o último grande esforço para manter vivo o modelo mais popular da história da Volkswagen no país.

Mais do que simplesmente trocar veículos de exposição, Volkswagen e CARDE aproximam dois momentos separados por 34 anos, mas unidos pelo mesmo personagem principal: o Fusca.

Fusca Itamar • Divulgação / VW

Para marcar a parceria, as instituições também produziram o documentário “Dois Fuscas, Dois Presidentes”, reunindo depoimentos de Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, e Luiz Goshima, presidente do Museu CARDE. O filme narra a importância histórica dos dois automóveis e o significado desse encontro inédito entre os acervos.

Assista aqui o video: Dois Fuscas, Dois Presidentes | VW Brasil

Talvez o aspecto mais interessante dessa iniciativa seja lembrar que alguns carros deixam de ser apenas máquinas.

Eles passam a representar épocas.

O Fusca de JK simboliza o Brasil otimista da industrialização.

O Fusca de Itamar representa um país tentando reencontrar sua estabilidade econômica.

Agora, pela primeira vez, essas duas histórias se cruzam em uma mesma homenagem à memória automotiva nacional.


Fontes