Na década de 1970 se você quisesse um carro esportivo era melhor você mesmo produzir, já que era proibida a importação de carros estrangeiros. Foi o que fez Ottorino “Toni” Bianco, de origem italiana radicado no Brasil desde 1952. Projetista de Sucesso, Toni Bianco preparou carros para competições, além de projetar chassis tubulares e o primeiro Fórmula 3 Brasileiro, também desenvolveu carros que bateram diversos recordes em Interlagos.

origem da imagem: Have you ever heard of the Bianco S?
Com carroceria feita em plástico reforçado e fibra de vidro, o Bianco S destacava-se pelas linhas esportivas inspiradas nos protótipos europeus da época, com uma carroceria fluida, quatro faróis redondos e um grande para-brisa envolvente. O esportivo era montado sobre a base mecânica do Volkswagen Brasília (e, mais tarde, plataformas semelhantes ao Fusca), mantendo o motor traseiro boxer de 1.6 litros refrigerado a ar com aproximadamente 65 cv e câmbio manual de quatro marchas. Apesar de não ter desempenho de supercarro, acelerando de 0 a 100 km/h em cerca de 15–17 s e alcançando um máximo em torno de 146–150 km/h, o visual e a exclusividade eram seus maiores diferenciais. um trabalho artesanal que combinava linhas aerodinâmicas com mecânica confiável.
Apresentado ao público no Salão do Automóvel de São Paulo em 1976, O lançamento foi um sucesso imediato no salão: mais de 180 unidades foram negociadas nos primeiros dias de exposição. A produção foi artesanal e limitada (estimativas apontam menos de 500 unidades produzidas até 1978) o que transformou o Bianco S num objeto de culto entre colecionadores e entusiastas de carros brasileiros fora de série e se tornou peça rara e cobiçada no mundo dos clássicos.
Com o fim das operações da Bianco no fim da década de 1970, em parte por divergências entre os sócios e dificuldades financeiras, o Bianco S tornou-se um dos carros fora-de-série mais lembrados do Brasil.
Nos dias atuais, exemplares restaurados do Bianco S são valorizados no mercado de clássicos, tanto no Brasil quanto internacionalmente, com alguns até aparecendo em leilões e feiras de automóveis antigos fora do país, com um exemplar leiloado nos Estados Unidos por cerca de US$ 30.000 em 2022, revelando um sinal da curiosidade e valorização que esse esportivo brasileiro continua a gerar entre colecionadores.

origem da imagem: Esportivo raro brasileiro, Bianco S é atração em leilão na França
O Bianco S representa um capítulo singular da história automobilística brasileira: um carro que não era apenas utilitário, mas sim um projeto de paixão e criatividade que feito num momento em que a indústria nacional buscava caminhos próprios para atender a um público exigente. Ele continua sendo lembrado não apenas por aficionados por carros antigos, mas como símbolo de inovação num mercado automotivo fechado às importações.
Ficha Técnica:
- Motor: VW 1.600 cm³ boxer refrigerado a ar, com cerca de 65 cv.
- Câmbio: manual de 4 marchas.
- Aceleração: 0 a 100 km/h em cerca de 15 s
- Velocidade Máxima: 150 km/h
- Carroceria: fibra de vidro leve e estilosa, com quatro faróis redondos e linhas esportivas inspiradas em carros europeus.
- Interior: acabamento caprichado para a época, com revestimento em couro e itens como vidros elétricos e para-brisa laminado — novidade instalada pela primeira vez em um carro brasileiro.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bianco_%28autom%C3%B3veis%29
https://www.autoo.com.br/bianco-s-fora-de-serie-brasileiro-e-leiloado-por-uma-fortuna-nos-eua



