Bugatti Royale, o carro dos Reis

O Sr. Bugatti:

“Em meio a técnicos treinados, ele poderia atingir o mais baixo nível de agressividade com seus funcionários. Chamado de charlatão e enganador deve ter sido especialmente difícil conseguir o apoio financeiro. Porém, ele se tornou especialista em fazer pequenos projetos parecerem grandes empreendimentos. Mas ata uma ideia, uma vontade de ferro e iria mostrar a todos eles. E mostrou” – Griffith Borgeson

origem da imagem: O BUGATTI TIPO 41 ROYALE – Autoentusiastas

Ettore Bugatti esteve nos negócios automobilisticos desde 1900, desenhando alguns carros para si e comprando desenhos em quantidade, produzindo-os para outras pessoas. De sua megalomania surgiu um projeto audacioso, muito caro e altamente exclusivo, que, só mesmo Bugatti teria colocado em prática.

O Primeiro Bugatti a ser produzido foi o tipo 13, com 4 cilindros. em 1910. Este carro estabeleceu a tradição dos motores Bugatti de posicionar o comando de válvulas no cabeçote.

Antes da guerra este carro usava duas válvulas por cilindro, passando a 4 depois da guerra.

La “Royale”

O “tipo 41” ou “Royale”, como o próprio nome diz, era um grande projeto destinado a realeza, que poderia desfrutar de um motor de 8 cilindros em linha, com modestos 12,7 litros (duas vezes mais que um Rolls RoyceJ, distância entre eixos de 4,5 metros e um cofre de motor, que, como se dizia, poderia servir de garagem para um fusca. Para atender seus nobres clientes, Bugatti prometia uma garantia vitalícia.

origem da imagem Bugatti Type 41 – mais conhecido como Bugatti Royale, um dos carros mais raros do mundo. | Gasolina na Veia

O projeto inicial previa a produção de 25 carros, 25 motores foram construídos, porém apenas 6 chassis produzidos. O mais incrível é que os 6 chassis construídos utilizaram 11 carrocerias diferentes.

Somente 3 carros, construídos entre 1925 e 1933 foram realmente vendidos: Um para a França, um para a Alemanha e o terceiro para a Inglaterra. O “crack” da Bolsa de 1929 e a depressão econômica que se seguiu, terminaram com o conto de fadas da imaginação de Bugatti. Ele não teria mais a oportunidade de ver suas “carroagens” mecânicas nas mãos de Reis e Princípes.

Os 3 carros restantes foram utilizados pela própria família Bugatti. O carro era tão exclusivo e tão caro, que chegou a ser cotado em sua época na Inglaterra, por quase 3 vezes o preço do Rolls Royce Phantom II (o carro mais caro em linha).

origem da imagem: O BUGATTI TIPO 41 ROYALE – Autoentusiastas

Apesar do nome, e de seu luxo e acabamento, nenhum dos Royale jamais foi vendido a um monarca, embora muitas visitas tenham sido feitas para inspecionar o protótipo na fábrica.

Seguindo o projeto inicial foram construídos todos os motores. Com o fracasso do carro, os motores que sobraram foram utilizados em carros ferroviários de alta velocidade e até em aviões franceses. Como o carro, certamente o motor era o mais caro da época. era também o maio, o mais pesado, e provavelmente o mais rápido do mundo até então, com uma velocidade acima de 160 km/h.

Conta a história que um destes carros foi salvo de virar sucata em Nova York, durante a II Guerra Mundial e outro teria sido escondido em um esgoto de Paris durante a ocupação alemã.

origem da imagem Bugatti presents the Type 41 Royale at the Goodwood Festival of Speed 2013 – Bugatti Newsroom

O impressionante é que todos os 6 carros sobreviveram até os dias de hoje. em condições de uso.

FICHA TÉCNICA Bugatti Royale Tipo41 – 1930

Motor
Localização: dianteira
Tipo: monobloco, 8 cil. em linha, refrigerado a água, 3 vávulass por cilindor
Cilindrada: 12.763 cm3
Diâmetro X curso: 125 X 130 mm
Alimentação: carburador Shleber, corpo duplo
Potência máxima: 275 cv a 3.000 rpm
Transmissão
Manual de 3 marchas
Suspensão
Dianteira: não independente, feixe de molas e amortecedores de fricção.
Traseira: Eixo rígido com feixe de molas e amortecedores de fricção.
Freios
a tambor nas quatro rodas.
Rodas e pneus
Rodas em liga com 24 polegadas
Pneus: Rapson 6,75 X 36
Desempenho
Velocidade Máxima: 160 km/h
Consumo: 2,4 km/I


Fonte:

Classic Cars, o Carro – Editora Nova Cultural