No universo dos carros clássicos e fora de série brasileiros, poucas histórias são tão ousadas e fascinantes quanto a do Concorde, um automóvel artesanal produzido no Brasil nos anos 1970 e 1980, que combinava luxo, design retrô e técnica automobilística.

origem da imagem Família resgata Concorde dos anos 70, feito no Brasil por João Storani, que estava nos EUA – Balcão Automotivo
Um sonho sobre rodas
O Concorde nasceu da paixão de João Storani, empresário e um dos primeiros colecionadores de carros antigos no Brasil, que em 1974 decidiu criar um veículo inspirado nos carros de luxo dos anos de 1920/1930, como o lendário Duesenberg J.
Com a ajuda de seus filhos, João Antônio e Cesar Augusto, Storani começou o projeto em Jundiaí (SP), transformando um Ford Galaxie em uma obra única: um carro com visual clássico, carroceria em fibra de vidro e detalhes sofisticados em metal e couro.
O nome, emprestado do avião supersônico, refletia a ambição do projeto, oferecer uma experiência automobilística superior e distinta.
O Concorde ganhou notoriedade nacional ao ser apresentado no 10º Salão do Automóvel de São Paulo, em 1976, em um momento em que o Brasil vivia a proibição de importações, o que colocou ainda mais em evidência projetos nacionais e fora de série.

origem da imagem Revista Manchete ed 1285, dezembro de 1976, Biblioteca Nacional
Ali, ele chamou a atenção não apenas pela estética retrô, mas também por sua exclusividade: cada unidade exigia cerca de seis meses de fabricação artesanal, personalizada para o cliente.
Mecânica, versões e produção
Ao contrário de muitos carros fora de série brasileiros que usavam motores Volkswagen refrigerados a ar, o Concorde usava mecânica Ford Galaxie, incluindo motor V8, câmbio e suspensão.
Segundo apurações históricas, o projeto passou por versões distintas, incluindo modelos de dois (C2 Roadster) e cinco lugares (C5 Phaeton), todos com carroceria em fibra de vidro e acabamento artesanal.

origem da imagem https://velozesbrasil.com.br/2024/07/30/concorde-o-classico-brasileiro-que-encantou-o-salao-do-automovel/
Apesar do visual clássico, o conjunto mecânico moderno para a época fazia dele um carro potente, embora sua principal função fosse luxo e estilo, não performance esportiva.
A produção foi limitada: estimativas afirmam que foram feitos menos de 20 veículos originais entre as décadas de 1970 e 1980. Depois de dificuldades de mercado e alta recessão no Brasil, a produção foi encerrada em meados da década de 1980.
Patrimônio histórico: do exterior de volta ao Brasil
Nas últimas décadas, o Concorde se tornou item de coleção disputado. Um dos exemplares fabricados voltou aos Estados Unidos, onde havia sido exportado anos antes, e, após esforços familiares e burocráticos, foi importado de volta ao Brasil para restauração e exibição em eventos de carros antigos.

origem da imagem https://br.pinterest.com/pin/372180356682684820/
Esse episódio recente reforça não apenas o valor histórico do veículo, mas também a emoção que circunda carros únicos feitos à mão.
Linha do Tempo
Início dos anos 1970 — O nascimento da ideia, o empresário e colecionador João Storani, apaixonado por carros clássicos das décadas de 1920 e 1930, decide criar um automóvel nacional inspirado nos grandes modelos de luxo da era pré-guerra, como o Duesenberg Model J. A proposta era unir estética vintage com mecânica moderna disponível no Brasil.
1974 — Desenvolvimento do primeiro protótipo, em Jundiaí (SP), Storani e seus filhos iniciam a construção do primeiro exemplar. A base mecânica escolhida foi o chassi e conjunto do Ford Galaxie, incluindo motor V8.
A carroceria foi desenvolvida em fibra de vidro, com acabamento artesanal.
1976 — Estreia no Salão do Automóvel, o Concorde é apresentado oficialmente no Salão do Automóvel de São Paulo. O modelo chama atenção pelo visual clássico imponente e pela proposta de luxo exclusivo em plena fase de restrição às importações no Brasil.
1976–início dos anos 1980 — Produção artesanal limitada
São produzidas versões como:
C2 Roadster (2 lugares)
C5 Phaeton (5 lugares)
Cada unidade levava cerca de seis meses para ser concluída.
A produção total estimada foi inferior a 20 unidades, tornando o modelo extremamente raro.

origem da imagem (Christian Castanho/Foto/Quatro Rodas) https://quatrorodas.abril.com.br/carros-classicos/classicos-concorde-o-calhambeque-artesanal-de-r-350-000-dos-anos-70
Meados dos anos 1980 — Encerramento da produção, a crise econômica brasileira e o mercado restrito para veículos artesanais de luxo levam ao encerramento da fabricação do Concorde.
Anos 1990–2000 — Consolidação como item de coleção, os poucos exemplares existentes passam a frequentar encontros de carros antigos e eventos de antigomobilismo, ganhando status de peça rara do automobilismo nacional.
Década de 2020 — Resgate histórico, um dos exemplares que havia sido exportado aos Estados Unidos retorna ao Brasil, resgatado pela família Storani, reforçando o valor histórico e afetivo do modelo.
O Legado
O Concorde se consolidou como um dos mais ousados projetos fora de série do Brasil.
Ao lado de marcas como Puma e MP Lafer, representa uma fase criativa da indústria automotiva nacional, quando paixão e ousadia compensavam limitações industriais.

origem da imagem Jornal dos Clássicos – O Concorde brasileiro
O Concorde não foi apenas um carro: tornou-se um símbolo de ousadia no cenário automobilístico brasileiro. Com inspiração clássica, produção artesanal e enorme exclusividade, ele ocupa um lugar especial na memória dos entusiastas de automóveis — ao lado de outros ícones como Puma e MP Lafer.
https://www.lexicarbrasil.com.br/concorde/
https://novomomento.com.br/concorde-anos-70-encontro-brasileiro-antigos/



