Uma curiosidade da língua portuguesa é o uso dos artigos definidos antes dos nomes dos automóveis. Dependendo da região, da tradição ou até mesmo do costume familiar, uma mesma marca ou modelo pode ser precedido por artigos diferentes.
Por exemplo, algumas pessoas dizem “a Puma”, enquanto outras preferem dizer “o Puma”. O mesmo acontece com diversos veículos clássicos e modernos.
Em geral, quando o falante se refere à marca, costuma empregar o gênero associado ao nome da fabricante. Assim, é comum ouvir “a Puma”, em referência à montadora brasileira Puma. Por outro lado, quando a referência é ao automóvel em si, muitos utilizam o masculino, dizendo “o Puma”, subentendendo a palavra “carro”.
O mesmo fenômeno ocorre com outros veículos. Algumas pessoas dizem “a Kombi”, porque o nome se consolidou no feminino ao longo dos anos. Já modelos como Fusca, Opala, Maverick e Gol são tradicionalmente tratados no masculino: “o Fusca”, “o Opala”, “o Maverick” e “o Gol”.
Não existe uma regra absoluta para todos os casos. O uso do artigo muitas vezes depende da tradição popular, da influência regional e da forma como determinado veículo passou a ser conhecido pelos entusiastas e pelo público em geral.
Por isso, dizer “a Puma” ou “o Puma” não é necessariamente um erro. São formas diferentes de enxergar o mesmo objeto: uma enfatiza a marca, enquanto a outra destaca o automóvel.
A mesma lógica costuma valer para as motocicletas, mas na prática existe uma tendência ainda mais forte de usar o feminino, porque a palavra subentendida é “motocicleta”, que é feminina.
Por exemplo: a CG 160, a XRE 300. a Ténéré 700.
Quem fala assim está subentendendo “a motocicleta”. Mas entre motociclistas também é muito comum o uso do masculino quando a pessoa está pensando no veículo como uma máquina ou um modelo específico:
o Gol, o Fusca, o Opala. E, nas motos, às vezes aparece: o Ténéré, o GS, o Falcon, o Shadow.
Nesses casos, o artigo masculino geralmente vem de “o modelo”, “o veículo” ou simplesmente do costume dos proprietários.
Você provavelmente ouvirá com mais frequência “a Ibex 450”, porque o universo das motos tende a adotar o feminino. Mas não seria estranho encontrar alguém dizendo “o Ibex”, especialmente em grupos de motociclistas que tratam o modelo como uma máquina específica.
Do ponto de vista gramatical, não existe uma regra rígida determinando que todos devam usar um único artigo. O uso acaba sendo definido pela tradição, pelo contexto e pela comunidade de usuários daquele veículo. Por isso, tanto em carros quanto em motos, o costume fala mais alto do que a gramática.
Fabio Palazzo é engenheiro mecânico, motociclista com 38 anos de experiência e proprietário da Tucson Motorcycles, oficina e loja especializada em motocicletas. Sua vivência une sua bagagem técnica ao prazer pessoal de viagens e lazer, focando na validação real de produtos em estrada, segurança e confiabilidade mecânica.



